quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O cotidiano Nova Iorquino pelo olhar do serendipitoso

Todas as manhãs em Nova Iorque... Ou em qualquer lugar do mundo, pessoas anônimas ou famosas integram a inevitável, e impiedosa, roda do tempo e da vida. Buscam coisas reais que almejam possuir e até mesmo sonhos idealizados. Seus rostos e histórias nem sempre são tornados públicos. Neste contexto, um observador nato, sutil e detalhista se atreveu a reportar o cotidiano dos personagens de um capítulo deste espetáculo, encenado no templo cosmopolita da América, a cidade de Nova Iorque. No palco, a sociedade americana da segunda metade do século passado. Seu nome? Gay Talese.

A neutralidade e aproximação com que este autor narra os fatos que assiste em Nova Iorque, na primeira parte do livro Fama e Anonimato, chegam a assustar num primeiro momento. A riqueza de detalhes, que para muitos soariam insignificantes, e o toque especial de intimidade com aquilo que é observado, agregam ao texto magnífico um tom exigente e perfeccionista. Isto é reforçado por uma criatividade que por vezes é confundida com o próprio ficcionismo.

A obra é uma compilação dos principais textos escritos por Talese ao longo de sua carreira. O jornalista faz parte dos precursores do Novo Jornalismo, ou Jornalismo Literário. Neste estilo, o autor encontrou a contribuição intrínseca necessária para a compreensão da ordem social estabelecida, e para o entendimento daquilo que se convencionou chamar de espaço público. Esta forma de publicizar situações reais não se enquadra nas necessidades estritamente informacionais do jornalismo factual. Muito menos se trata de apenas aproximar o fato do leitor, ou inclusive, da atualidade do que está sendo descrito, o que torna o texto de Talese uma obra que aguça os sentidos dos leitores atentos à realidade em sua volta é o detalhamento das situações cotidianas observadas. A proximidade do autor com o que é narrado, isso sim é o viés impressionante para captação do verdadeiro sentido do texto jornalístico em: Fama e Anonimato.

As histórias narradas por Talese, desde as descrições de personagens e situações cotidianas ocorridas em Nova Iorque, passando pela narração do período de construção da ponte Verrazano-Narrows, chegando aos perfis de grandes ícones da indústria cultural, são entendidas como uma maneira de publicizar a construção de redes de significação que os indivíduos procuram para si próprios. Desta forma, o autor assume um papel fundamental dentro dos estudos das teorias jornalísticas, o de contribuir para a “construção social da realidade”. Aquilo que pode parecer secundário é absolutamente necessário para o exercício do Novo Jornalismo.
O tripé: Objetividade, técnicas jornalísticas e credibilidade, conhecidos nas escolas de comunicação durante a formação de profissionais para atuarem em redações de jornais do século XI, fazem parte da construção de um relato observado por profissionais neutros, parciais e objetivos. Sendo pragmático, prefiro dizer que formam profissionais que são vistos como mecanicista. Certamente, a realidade narrada por estes profissionais não devem, nem podem, ser diferentes daquela entendida pelos indivíduos que dela participam, interpretam e a definem histórica e culturalmente (Neste momento não vamos levar em consideração o discurso da construção ideológica de determinado relato).

Ao contribuir com a criação do modelo narrativo conhecido como Novo Jornalismo, Talese reduz a múltiplas realidades e interpretações concentradas naquele determinado “fato” a uma porção que representa tudo o que gostaria de apresentar ao público. Mesmo sendo seus personagens plurais e multifacetados, assim como a forma como ele os descreve, percebemos uma clareza na descrição que torna a leitura agradável. A realidade social e a midiática são aproximadas nos textos de Talese graças à forma textual do autor.

Este tipo de reportagem é mais demorada e minuciosa do que aquelas convencionais que estamos acostumados a ler diariamente. Exige grande trabalho de coleta de dados por parte do jornalista. Daí a proximidade com a literatura, já que os adeptos do Novo Jornalismo dedicam dias, e às vezes até meses e anos para escrever seu material. Sabemos que a principal vantagem de uma imersão tão aprofundada no objeto das reportagens é justamente o de poder oferecer uma descrição objetiva e completa, onde a vida subjetiva e emocional dos personagens seja um elemento a ser considerado primordial no discurso jornalístico.

É necessária a presença do jornalista na ação, para que a captação das sutilezas deste dado momento seja a mais apurada possível. É primordial estar no lugar onde ocorrem as cenas dramáticas, cômicas e trágicas para captar conversas, gestos, expressões faciais, detalhes do ambiente, enfim, tudo o que o olhar intimista do jornalista puder captar. Revelar os bastidores da matéria, no texto, é tão importante quanto às impressões do repórter sobre o personagem/fato. O exercício do Jornalismo não deve ser comparado com ciência exata.

Todo jornalista é responsável pelo que publica, e no contexto das novas tecnologias da comunicação, como publica. É necessário, sim! Que façamos jornalismo com emoção, afinal, é ela quem conduz o viés para o bom jornalismo. O sentimento de humanidade nas impressões do jornalista ao escrever um texto deve ser reiterado pela objetividade e apropriação não ideológica daquilo que pretende -se publicizar.

A imparcialidade é um mito, contudo a isenção é uma meta que deve ser perseguida todos os dias. O profissional ético e honesto possui um compromisso com o cidadão e com a verdade. Isso é o que faz da nossa profissão um dos pilares de uma sociedade democrática e participativa. É difícil entendermos como conquistar esta tal isenção, já que no caminho encontramos determinadas manipulações deliberadas, que agregada ainda à falta de aprofundamento no tema e excesso de declarações entre aspas, empobrece as informações e transforma o autor em um observador medíocre.

No texto “O fascínio do jornalismo” escrito pelo Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, na Espanha, Carlos Alberto Di Franco, posso destacar o trecho em que ele afirma “O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade”. Tal citação pode elucidar muitas de nossas dúvidas sobre o quê escrevemos? Para quem escrevemos? E por que escrevemos?

Durante uma de suas muitas entrevistas sobre a nossa profissão, Gay Talese apontou importantes problemas que punem a imprensa de qualidade. Entre elas, Talese afirmou que “não fazemos matéria direito porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mail, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas”. Declarou também que “não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando”. E com certeza o leitor percebe cada , não duvidemos, capta tudo isso.

No caminho do bom jornalismo vamos encontrar obstáculos e até mesmo tropeçar em armadilhas. No exercício da nossa profissão vamos enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o grande fascínio de quem se atreve nesta jornada por um sertão árido e seco chamado jornalismo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Trânsito e o rendimento dos trabalhadores brasileiros


Desde o início da civilização nossa sociedade se preocupa com a questão do deslocamento. A evolução social, intelectual e material dos subsídios primordiais para sobrevivência da humanidade levou o humano a criar mecanismos que facilitassem todo esse processo. Com a contrução de ruas, estradas, avenidas, e a invenção de barcos, aviões e veículos automotores surgiu um dos grandes problemas da contemporaneidade, o caos no que convencionou-se chamar de trânsito.
A atitude geral das pessoas, baseada em noções privatizadoras do espaço público, é um fator que contribui decisivamente para o caos urbano.
Existe uma confusão entre o espaço público e o privado no país. Junta-se um fator histórico nacional com a tendência mundial de privatização do espaço público. O resultado é que cada um tem seu motivo pessoal para não respeitar as leis e a organização coletiva. Considera-se injustas as leis, representadas pelos fiscais do trânsito, que não entende o motivo particular de cada um para burlá-la.
Alguns estudos afirmam que os problemas de congestionamento de automóveis devem limitar o potencial de crescimento econômico do país em 5%. Pesquisa levou em consideração o tempo que se gasta em viagens urbanas. A produtividade corresponde à relação entre quanto se produz e quanto se gasta na produção, incluindo o pagamento de funcionários.
A piora no trânsito das grandes cidades latino-americanas tem três motivos principais: Excesso de veículos; Mudança para o subúrbio; Transporte público ruim. O aumento do número de carros em circulação, a mudança da população de classes média e alta para o subúrbio e as más condições do transporte público são os fatores que o Citigroup vê como responsáveis pela recente piora no trânsito das grandes cidades latino-americanas.

As Leis e a efetivação de um Estado democrático de direitos


Jornais não são os donos da verdade, nem tampouco influenciadores da opinião pública, eles podem sim provocar o debate, contudo, a sociedade tem aprendido a analisar a maioria das informações que lhes é transmitida. Algo em especial sempre chama atenção nos grandes grupos empresariais de comunicação, a filiação partidária e tendências ideológicas dos donos se sobrepõem ao valor notícia de grande parte daquilo que é publicizado na grande mídia. Levando, em alguns casos, a uma parcialidade quase que total.
Informar a população sobre a atual conjuntura política da nação é um papel que deve ser desempenhado por profissionais com credibilidade, seriedade e perspicácia. Em geral, os jornais encaminham um repórter especial para cobrir cada Poder, este é denominado setorista. O Poder Legislativo, especialmente a apresentação e sanção das leis, é alvo de grande repercussão e atenção por parte do grande público.
Legislação – No Brasil, a obrigatoriedade da lei surge a partir da sua publicação no Diário Oficial, mas a sua vigência não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o determinar. Não havendo determinação, a Lei de Introdução ao Código Civil estipula 45 dias. O intervalo entre a data de sua publicação e sua entrada em vigor chama-se vacatio legis.
Uma lei deve ser aplicada até que seja revogada ou modificada por outra. A revogação pode ser total, ou parcial. Em princípio, as leis começam a vigorar para legislar sobre casos futuros, e não passados. Assim, a aplicação das leis deve observar três limites: a) ato jurídico perfeito; b) direito adquirido; c) coisa julgada. Esses limites têm como objetivo aumentar a segurança jurídica da sociedade. Ou seja, se hoje você realiza um ato legal pelas normas vigentes atualmente, você tem a garantia de não ser punido mesmo se o seu ato passe a ser ilegal devido a uma lei que seja promulgada no futuro.
Os projetos de lei podem ser de iniciativa do Presidente da República, de um parlamentar ou de presidentes dos tribunais superiores. Há ainda a possibilidade de projetos de leis de iniciativa popular.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Nós que aqui estamos, por vós esperamos.


Consolidar o meu EU.
Talvez um dos grandes complexos da contemporaneidade deste ser.
Fazer-se compreendido! Nada mais do que falácia.
Quero é mais, muito mais, de mim, de você, de todos nós.
Sociedade! Que porra é essa.
Alguém me dá um alucinógeno, líquido, sólido ou gasoso que preciso sair daqui, voltar pro não-lugar. Participar da sociedade dos poetas que nunca existiram. Trabalhar como palhaço no circo sem futuro.
Acordar! Para vida? Não. Para mim mesmo.
Dormir, simples ato de internalizar ações impossíveis no real, prováveis no virtual.
Chega mais! Te conto algo além destas simples linhas.