Todas as manhãs em Nova Iorque... Ou em qualquer lugar do mundo, pessoas anônimas ou famosas integram a inevitável, e impiedosa, roda do tempo e da vida. Buscam coisas reais que almejam possuir e até mesmo sonhos idealizados. Seus rostos e histórias nem sempre são tornados públicos. Neste contexto, um observador nato, sutil e detalhista se atreveu a reportar o cotidiano dos personagens de um capítulo deste espetáculo, encenado no templo cosmopolita da América, a cidade de Nova Iorque. No palco, a sociedade americana da segunda metade do século passado. Seu nome? Gay Talese.
A neutralidade e aproximação com que este autor narra os fatos que assiste em Nova Iorque, na primeira parte do livro Fama e Anonimato, chegam a assustar num primeiro momento. A riqueza de detalhes, que para muitos soariam insignificantes, e o toque especial de intimidade com aquilo que é observado, agregam ao texto magnífico um tom exigente e perfeccionista. Isto é reforçado por uma criatividade que por vezes é confundida com o próprio ficcionismo.
A obra é uma compilação dos principais textos escritos por Talese ao longo de sua carreira. O jornalista faz parte dos precursores do Novo Jornalismo, ou Jornalismo Literário. Neste estilo, o autor encontrou a contribuição intrínseca necessária para a compreensão da ordem social estabelecida, e para o entendimento daquilo que se convencionou chamar de espaço público. Esta forma de publicizar situações reais não se enquadra nas necessidades estritamente informacionais do jornalismo factual. Muito menos se trata de apenas aproximar o fato do leitor, ou inclusive, da atualidade do que está sendo descrito, o que torna o texto de Talese uma obra que aguça os sentidos dos leitores atentos à realidade em sua volta é o detalhamento das situações cotidianas observadas. A proximidade do autor com o que é narrado, isso sim é o viés impressionante para captação do verdadeiro sentido do texto jornalístico em: Fama e Anonimato.
As histórias narradas por Talese, desde as descrições de personagens e situações cotidianas ocorridas em Nova Iorque, passando pela narração do período de construção da ponte Verrazano-Narrows, chegando aos perfis de grandes ícones da indústria cultural, são entendidas como uma maneira de publicizar a construção de redes de significação que os indivíduos procuram para si próprios. Desta forma, o autor assume um papel fundamental dentro dos estudos das teorias jornalísticas, o de contribuir para a “construção social da realidade”. Aquilo que pode parecer secundário é absolutamente necessário para o exercício do Novo Jornalismo.
O tripé: Objetividade, técnicas jornalísticas e credibilidade, conhecidos nas escolas de comunicação durante a formação de profissionais para atuarem em redações de jornais do século XI, fazem parte da construção de um relato observado por profissionais neutros, parciais e objetivos. Sendo pragmático, prefiro dizer que formam profissionais que são vistos como mecanicista. Certamente, a realidade narrada por estes profissionais não devem, nem podem, ser diferentes daquela entendida pelos indivíduos que dela participam, interpretam e a definem histórica e culturalmente (Neste momento não vamos levar em consideração o discurso da construção ideológica de determinado relato).
Ao contribuir com a criação do modelo narrativo conhecido como Novo Jornalismo, Talese reduz a múltiplas realidades e interpretações concentradas naquele determinado “fato” a uma porção que representa tudo o que gostaria de apresentar ao público. Mesmo sendo seus personagens plurais e multifacetados, assim como a forma como ele os descreve, percebemos uma clareza na descrição que torna a leitura agradável. A realidade social e a midiática são aproximadas nos textos de Talese graças à forma textual do autor.
Este tipo de reportagem é mais demorada e minuciosa do que aquelas convencionais que estamos acostumados a ler diariamente. Exige grande trabalho de coleta de dados por parte do jornalista. Daí a proximidade com a literatura, já que os adeptos do Novo Jornalismo dedicam dias, e às vezes até meses e anos para escrever seu material. Sabemos que a principal vantagem de uma imersão tão aprofundada no objeto das reportagens é justamente o de poder oferecer uma descrição objetiva e completa, onde a vida subjetiva e emocional dos personagens seja um elemento a ser considerado primordial no discurso jornalístico.
É necessária a presença do jornalista na ação, para que a captação das sutilezas deste dado momento seja a mais apurada possível. É primordial estar no lugar onde ocorrem as cenas dramáticas, cômicas e trágicas para captar conversas, gestos, expressões faciais, detalhes do ambiente, enfim, tudo o que o olhar intimista do jornalista puder captar. Revelar os bastidores da matéria, no texto, é tão importante quanto às impressões do repórter sobre o personagem/fato. O exercício do Jornalismo não deve ser comparado com ciência exata.
Todo jornalista é responsável pelo que publica, e no contexto das novas tecnologias da comunicação, como publica. É necessário, sim! Que façamos jornalismo com emoção, afinal, é ela quem conduz o viés para o bom jornalismo. O sentimento de humanidade nas impressões do jornalista ao escrever um texto deve ser reiterado pela objetividade e apropriação não ideológica daquilo que pretende -se publicizar.
A imparcialidade é um mito, contudo a isenção é uma meta que deve ser perseguida todos os dias. O profissional ético e honesto possui um compromisso com o cidadão e com a verdade. Isso é o que faz da nossa profissão um dos pilares de uma sociedade democrática e participativa. É difícil entendermos como conquistar esta tal isenção, já que no caminho encontramos determinadas manipulações deliberadas, que agregada ainda à falta de aprofundamento no tema e excesso de declarações entre aspas, empobrece as informações e transforma o autor em um observador medíocre.
No texto “O fascínio do jornalismo” escrito pelo Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, na Espanha, Carlos Alberto Di Franco, posso destacar o trecho em que ele afirma “O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade”. Tal citação pode elucidar muitas de nossas dúvidas sobre o quê escrevemos? Para quem escrevemos? E por que escrevemos?
Durante uma de suas muitas entrevistas sobre a nossa profissão, Gay Talese apontou importantes problemas que punem a imprensa de qualidade. Entre elas, Talese afirmou que “não fazemos matéria direito porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mail, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas”. Declarou também que “não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando”. E com certeza o leitor percebe cada , não duvidemos, capta tudo isso.
No caminho do bom jornalismo vamos encontrar obstáculos e até mesmo tropeçar em armadilhas. No exercício da nossa profissão vamos enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o grande fascínio de quem se atreve nesta jornada por um sertão árido e seco chamado jornalismo.
A neutralidade e aproximação com que este autor narra os fatos que assiste em Nova Iorque, na primeira parte do livro Fama e Anonimato, chegam a assustar num primeiro momento. A riqueza de detalhes, que para muitos soariam insignificantes, e o toque especial de intimidade com aquilo que é observado, agregam ao texto magnífico um tom exigente e perfeccionista. Isto é reforçado por uma criatividade que por vezes é confundida com o próprio ficcionismo.
A obra é uma compilação dos principais textos escritos por Talese ao longo de sua carreira. O jornalista faz parte dos precursores do Novo Jornalismo, ou Jornalismo Literário. Neste estilo, o autor encontrou a contribuição intrínseca necessária para a compreensão da ordem social estabelecida, e para o entendimento daquilo que se convencionou chamar de espaço público. Esta forma de publicizar situações reais não se enquadra nas necessidades estritamente informacionais do jornalismo factual. Muito menos se trata de apenas aproximar o fato do leitor, ou inclusive, da atualidade do que está sendo descrito, o que torna o texto de Talese uma obra que aguça os sentidos dos leitores atentos à realidade em sua volta é o detalhamento das situações cotidianas observadas. A proximidade do autor com o que é narrado, isso sim é o viés impressionante para captação do verdadeiro sentido do texto jornalístico em: Fama e Anonimato.
As histórias narradas por Talese, desde as descrições de personagens e situações cotidianas ocorridas em Nova Iorque, passando pela narração do período de construção da ponte Verrazano-Narrows, chegando aos perfis de grandes ícones da indústria cultural, são entendidas como uma maneira de publicizar a construção de redes de significação que os indivíduos procuram para si próprios. Desta forma, o autor assume um papel fundamental dentro dos estudos das teorias jornalísticas, o de contribuir para a “construção social da realidade”. Aquilo que pode parecer secundário é absolutamente necessário para o exercício do Novo Jornalismo.
O tripé: Objetividade, técnicas jornalísticas e credibilidade, conhecidos nas escolas de comunicação durante a formação de profissionais para atuarem em redações de jornais do século XI, fazem parte da construção de um relato observado por profissionais neutros, parciais e objetivos. Sendo pragmático, prefiro dizer que formam profissionais que são vistos como mecanicista. Certamente, a realidade narrada por estes profissionais não devem, nem podem, ser diferentes daquela entendida pelos indivíduos que dela participam, interpretam e a definem histórica e culturalmente (Neste momento não vamos levar em consideração o discurso da construção ideológica de determinado relato).
Ao contribuir com a criação do modelo narrativo conhecido como Novo Jornalismo, Talese reduz a múltiplas realidades e interpretações concentradas naquele determinado “fato” a uma porção que representa tudo o que gostaria de apresentar ao público. Mesmo sendo seus personagens plurais e multifacetados, assim como a forma como ele os descreve, percebemos uma clareza na descrição que torna a leitura agradável. A realidade social e a midiática são aproximadas nos textos de Talese graças à forma textual do autor.
Este tipo de reportagem é mais demorada e minuciosa do que aquelas convencionais que estamos acostumados a ler diariamente. Exige grande trabalho de coleta de dados por parte do jornalista. Daí a proximidade com a literatura, já que os adeptos do Novo Jornalismo dedicam dias, e às vezes até meses e anos para escrever seu material. Sabemos que a principal vantagem de uma imersão tão aprofundada no objeto das reportagens é justamente o de poder oferecer uma descrição objetiva e completa, onde a vida subjetiva e emocional dos personagens seja um elemento a ser considerado primordial no discurso jornalístico.
É necessária a presença do jornalista na ação, para que a captação das sutilezas deste dado momento seja a mais apurada possível. É primordial estar no lugar onde ocorrem as cenas dramáticas, cômicas e trágicas para captar conversas, gestos, expressões faciais, detalhes do ambiente, enfim, tudo o que o olhar intimista do jornalista puder captar. Revelar os bastidores da matéria, no texto, é tão importante quanto às impressões do repórter sobre o personagem/fato. O exercício do Jornalismo não deve ser comparado com ciência exata.
Todo jornalista é responsável pelo que publica, e no contexto das novas tecnologias da comunicação, como publica. É necessário, sim! Que façamos jornalismo com emoção, afinal, é ela quem conduz o viés para o bom jornalismo. O sentimento de humanidade nas impressões do jornalista ao escrever um texto deve ser reiterado pela objetividade e apropriação não ideológica daquilo que pretende -se publicizar.
A imparcialidade é um mito, contudo a isenção é uma meta que deve ser perseguida todos os dias. O profissional ético e honesto possui um compromisso com o cidadão e com a verdade. Isso é o que faz da nossa profissão um dos pilares de uma sociedade democrática e participativa. É difícil entendermos como conquistar esta tal isenção, já que no caminho encontramos determinadas manipulações deliberadas, que agregada ainda à falta de aprofundamento no tema e excesso de declarações entre aspas, empobrece as informações e transforma o autor em um observador medíocre.
No texto “O fascínio do jornalismo” escrito pelo Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, na Espanha, Carlos Alberto Di Franco, posso destacar o trecho em que ele afirma “O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade”. Tal citação pode elucidar muitas de nossas dúvidas sobre o quê escrevemos? Para quem escrevemos? E por que escrevemos?
Durante uma de suas muitas entrevistas sobre a nossa profissão, Gay Talese apontou importantes problemas que punem a imprensa de qualidade. Entre elas, Talese afirmou que “não fazemos matéria direito porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mail, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas”. Declarou também que “não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando”. E com certeza o leitor percebe cada , não duvidemos, capta tudo isso.
No caminho do bom jornalismo vamos encontrar obstáculos e até mesmo tropeçar em armadilhas. No exercício da nossa profissão vamos enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o grande fascínio de quem se atreve nesta jornada por um sertão árido e seco chamado jornalismo.